Aqui e agora

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Acordei com os batimentos acelerados, com o corpo tremendo, a cabeça viajando em infinitas ideias e uma inquietação nada comum. Percebi então que a única coisa que eu deveria fazer naquele momento era criar algo, deixando a criatividade fluir e, mesmo sem pensar direito, agir.

Peguei tecidos, papéis, fitas, lápis de todas as cores disponíveis na velha gaveta de “tranqueiras úteis”. Comecei então a desenhar, depois recortar, costurar, pintar e colar. Sorrindo e me perguntando o que estava fazendo, continuei tudo aquilo ao mesmo tempo. “Estou ficando louca?”, eu pensava. Mesmo com as mãos tremendo e os olhos virando de um lado para o outro dividindo a atenção entre várias coisas, percebi que me sentia feliz.

Eu estava apenas deixando tudo acontecer. Era a minha forma de descontar toda deprimência e raiva que eu nem sabia do quê sair. Não parei nem por um segundo. À minha volta estava tudo uma bagunça, cheia de picotes, raspas de lápis, roupas jogadas aos montes, manchas de tintas, artigos de customização espalhados e outras coisas que não tinham nada a ver. Como pararam aqui? Esquece, nem quero saber.

Não estava sozinha em casa e pude perceber que as pessoas estavam chocadas comigo e me olhavam com estranhamento. Eu andava de um lado para o outro, pegando um alfinete aqui e uma tesoura ali. Nem notava que estava parecendo um furacão derrubando tudo por onde passava. Por um momento, minhas mãos paravam de tremer, mas logo voltavam ainda mais agitadas.

Finalmente quando senti que não tinha mais o que fazer, parei. Me joguei no chão, exausta e com uma sensação estranha. Afinal, o que deu em mim? Sentei, com as pernas cruzadas, olhei em volta e me espantei. Tinha desenhos caprichados e cheios de criatividade, roupas customizadas e outras novas que estavam saindo da máquina de costura, quadros de molduras pintadas e diferentes cheias de frases e ilustrações, tudo assinado por mim. Então olhei para as mãos e elas já não estavam mais tremendo. Entendi, foi uma vontade incontrolável de fazer o que gosto, de deixar meu dom e inconsciente falar mais alto.

Fazia muito tempo que isso não acontecia, talvez porque faltava inspiração, motivação ou autoconfiança. Achei até que tinha perdido todas essas vontades, mas entendi que não. Nunca deveria ter deixado essas habilidades de lado, por isso aqui e agora farei o possível para que elas sejam notadas e melhorem ainda mais. Correrei atrás dos sonhos usando o que sei e me sentirei satisfeita pelo simples prazer de fazer o que gosto, porque a garota que desde pequena tem sonhos doidos ainda está dentro de mim.

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