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Mudança

Pessoal

Uma segunda casa

img_6153cHá quase dois meses atrás fiz algo que nem todo mundo tem a coragem necessária para fazer: mudar de país. Atravessei o oceano até chegar do outro lado do mundo, no Japão. E preciso contar pra vocês o quanto minha vida mudou.

Não foram só as coisas mais óbvias que se tornaram novas para mim como a casa, trabalho, rotina, idioma, cultura e amigos, mas as mais peculiares também. Não entrar dentro de casa com sapato, jogar papel na privada, semáforos deitados, andar mais de bicicleta do que ônibus, comer doce de feijão e arroz, amar e odiar as estações do ano bem definidas, pagar a compra do mercado sozinha sem atendente, separar o lixo absurdamente, sair de madrugada e ter conveniências abertas em cada esquina com tudo que é necessário. Essas são algumas das coisas que mais achei diferentes do Brasil, mas todo dia descubro algo que me surpreende.

Apesar de muitas pessoas que convivo estranharem essas diferenças eu fico encantada e ansiosa para conhecer mais. É incrível pensar que há meses atrás estava sonhando com esse momento e agora ele é real. A melhor parte é que não tem um prazo para acabar, porque eu não quis determinar um. Quero aproveitar cada momento e viver experiências sem pensar no amanhã. Claro que eu planejo meu futuro, mas o que quero dizer é que quero viver o agora intensamente.

Quando alguém me pergunta quanto tempo pretendo ficar aqui eu sempre respondo que não sei. Dar uma resposta como essa pode parecer que eu não sei o quero pra minha vida, mas é o contrário. Eu sei exatamente onde quero estar, o que eu quero fazer, no que eu quero trabalhar e o que eu quero conquistar. O objetivo é estar em um lugar que eu me sinta em casa e que me proporcione felicidade com as coisas mais simples do dia a dia. E pra mim o Japão é assim. Uma segunda casa.

Comportamento

Mudanças e Lembranças

Como você se sentiria se sua mãe chegasse em você e dissesse: “Filha, vou te mudar de escola”, “vamos nos mudar dessa casa” ou “outra cidade nos espera” ? Tudo bem, pode ser que a tal nova escola tenha uma galera muito bacana, que – mesmo que a casa atual seja onde você passou toda a sua infância – a nova casa seja muuuito maior e tenha vizinhos super simpáticos. Mas tudo o que é novo não tem uma coisinha que os antigos tem: lembranças. Boas ou ruins.Lembranças de momentos que construímos sozinhos ou com alguém em algum lugar da escola, da casa, da cidade. Não importa. Tudo o que vêm à cabeça quando pensamos nesses lugares, são como os vemos e encaramos. E como sempre lembraremos. Por exemplo, mesmo sendo frustante passar na frente de sua escola primária e ver a pichação tomando conta dos muros, os portões enferrujados e caindo, alunos xingando as “tias” como se elas não fossem nada, essa nova imagem não substituirá aquela boa de quando estudava nessa escola.

Quero dizer também que suas lembranças só são incríveis para você mesma. Nunca ninguém as verá com tanta alegria e enlevo como você as vêem, porque foi você quem as viveu. Compartilhar seus momentos passados com as pessoas não tem nada de errado, muito pelo contrário, pois eles tornaram o “quem é você”. Mas nunca espere que elas fiquem tão igualmente entusiasmadas ao imaginar sua lembrança.

Sobre mudança, é quase sempre inesperada e evitada por muitos. O medo, insegurança, ignorância e comodidade são os principais motivos de hesitar em mudar algo. Mas deve-se pensar que o “novo” não substitui o “antigo”, é apenas uma nova etapa da vida e que não apaga o que o “antigo” foi. E não se deve temê-lo, pois tudo pode melhorar, só depende de si mesmo.

Tem pessoas que dizem: “não está perfeito nem excelente, mas está bom”. Se conformar com o pequeno ou pouco é normal para muitos, dependendo da personalidade de cada um. Buscar o melhor e maior de muitas coisas pode ser divertido e nem tão difícil para alguns. Ter a satisfação em tudo o que tem, faz e é, com certeza, é uma mentira. Mas mudar e melhorar é possível para todos.

Pra mim mudança é algo divertido e comum, principalmente de casa. Por motivos como o bairro, os vizinhos, a distância entre a casa, a escola, o trabalho e o lado urbano da cidade, eu e minha família acabávamos mudando várias vezes. Quase toda a minha infância passei em outro país e isso me fez perceber que mudança é divertida.  Atualmente mudei de cidade (de Atibaia, interior de SP, para Campinas) e com isso escola e casa. As primeiras semanas foram complicadas, pois as verdadeiras amigas estavam a 65,7 Km de mim e a escola nova era bem diferente da outra. Mas não demorou muito para encontrar novos amigos e gostar da nova cidade – que é muito maior, tem mais opções do que fazer nas férias e meu namorado também mudou pra mesma cidade.Sempre que posso viajo pra Atibaia e acho que sempre vou sentir uma certa falta dela e de todas os momentos e lembranças que construí, mas percebo que estou agora vivendo uma nova fase e que devo explorá-la com muita vontade.

Aprendi com mudanças o que é uma parte da independência, a me adaptar ao novo, a detectar pessoas falsas e valorizar as verdadeiras amizades, o que é união entre família e sobre o verdadeiro amor entre duas pessoas. Mas o que mais aprendi é que encontramos felicidade no inesperado, em alguma mudança por aí.