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Pessoal

Uma eterna espera

IMG_3869cA vida é uma eterna espera. Ultimamente essa é a frase que mais tenho ouvido por estar literalmente esperando por algo que desejo e sonho há muito tempo. A necessidade de ter uma resposta clara e exata faz com que minha busca seja cada vez mais desgastante. A pior parte é saber que o que estou esperando não está em minhas mãos e depende totalmente de pessoas que eu nem faço ideia de quem sejam. Devo confiar que tudo sairá como imagino? Ou no prazo que quero? Não sei. A única saída é realmente continuar esperando.

Desde criança sempre fui do tipo que quando tomava uma decisão não voltava atrás e seguia o caminho com foco e muita determinação, sem hesitar. Desistir? O que é isso? Essa palavra não existia no meu vocabulário e até hoje continua assim. A vida inteira fui teimosa e persistente. Tenho certeza que esses dois adjetivos me trouxeram onde estou agora. Mas então por que nesse exato momento estou presa em uma angústia onde não consigo me mexer?

Passei dias sentindo um vazio dentro do peito. É como se estivesse vivendo sem realmente viver, no modo automático. No começo meu pensamento positivo acabava com qualquer pensamento negativo e eu realmente conseguia enxergar o lado bom de uma situação terrível. Mas agora não sinto nada. É como se estivesse presa em uma bolha onde não existisse sentimentos e que me isolasse de tudo que é bom. No momento em que tomei a grande decisão eu sabia que passaria por situações ruins, mas eu estava determinada a não me deixar levar. Mas como posso controlar tudo que meu coração sente e continuar fingindo que estou bem? Acho que é impossível.

As horas vão passando e o Sol nasce e se põe todos os dias da mesma forma, no mesmo lugar. Tudo parece se repetir, repetir e repetir. E eu ainda estou aqui, estagnada. Quero sair desse ponto, quero seguir em frente e atravessar o oceano. Não quero ficar parada vendo como a vida dos outros é perfeita. Quero contar grandes histórias e ser lembrada por algo incrível. Quero ter o controle da minha vida, dos meus sonhos, das minhas atitudes. Posso não estar bem o suficiente para dar o meu melhor, mas o meu querer continua forte como sempre. Se ele é a única motivação que restou, eu usarei como meu escudo e avançarei na linha de frente, porque é onde quero estar.

Chega de ficar para trás e aceitar o papel de coadjuvante. Estou exausta de lutar, mas a batalha ainda não terminou e acredito que nunca terminará. Então mesmo que eu passe a eternidade buscando e lutando vou continuar. Esse é o meu princípio, é quem eu sou.

Comportamento

Força de vontade

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Com certeza todos vocês já ouviram pelo menos uma vez na vida alguém falar que é preciso batalhar e lutar muito para conquistar o que deseja e realizar sonhos. Isso é algo que os pais ensinam, ou pelo menos deveriam ensinar, desde quando somos bem novos. Ao longo do tempo conhecemos pessoas que tanto nos apoiam nessa ideia como também nos afastam dela. E assim é a vida, eu sei. Mas a diferença é que cada um tem o seu estilo de luta. Não existe um manual de como se deve enfrentar uma batalha. Apenas nós mesmos podemos descobrir de que forma iremos guerrear. Mas será que aprendemos sozinhos os truques e golpes necessários para essa batalha?

Enquanto alguns tem o apoio da família, tanto sentimental como financeiro outros começam do zero, sem nada e ninguém. Enquanto uns acreditam que dedicar algumas horas da semana na loja dos pais é um grande esforço, outros acreditam que trabalhar em dois empregos e ainda estudar é pouco para se preparar para o futuro. Enquanto uns vão dormir pensando nas viagens que farão no final de semana, outros pensam em como vão pagar os aluguéis atrasados da casa e onde vão conseguir arranjar dinheiro para conseguir comprar o pão do café da manhã. Não importa em qual situação estejamos sempre temos preocupações e diferentes valores. Mesmo que a realidade esteja parecendo ruim acabamos encontrando uma solução para melhorá-la. E é nessa hora que descobrimos quem somos.

Para a maioria das pessoas que conheço falar da situação financeira – que está ruim – é algo muito difícil e vergonhoso. Conheço algumas que não tem nem coragem em tocar no assunto. Até mesmo sobre peso, corpo, saúde e manias. Cada um tem um certo tipo de repulsão e sisma. Mas qual o problema em falar da realidade? É exatamente ela que nos modela com o tempo e define quem seremos no futuro. Se passamos por situações ruins precisamos nos fortalecer com elas, não ter vergonha. Quanto mais nos viramos sozinhos mais ficamos fortes. Precisamos aceitar a realidade, sim, mas não deixar que ela nos domine. Precisamos tentar chamar menos as pessoas que sempre nos defendem e estão ao nosso lado, porque uma hora não estarão. E o que será de nós nessa hora?

Não tenho vergonha de dizer que venho de uma família simples, que não tenho uma casa própria, nem um carro, nem mesada, nem grandes oportunidades o tempo todo. Ao contrário do que muitos pensam não sou rica. Essa é a verdade. E ela não me incomoda, porque tenho a melhor família do mundo, amigos verdadeiros, sonhos que conquistei com meu próprio esforço literalmente e me orgulho de tudo que passei até hoje. E não estou falando só das partes boas.

Em um país onde quase tudo é a favor dos ricos e quase tudo contra os pobres, talvez todos nós estejamos na mesma situação. Então não seria melhor compartilharmos nossas realidades sem receio para que outros se identifiquem? A nossa própria força de vontade e pensamento é muito maior do que a de quem quer nos colocar para baixo. Acreditem.

Precisamos sim de atalhos e caminhos mais fáceis para chegar mais rápido ao destino, mas talvez a graça não seja a mesma. Então devemos respirar fundo e enfrentar a pior batalha de todas. E mesmo que estejamos sós não devemos desistir, porque só depois que passarmos por ela saberemos o verdadeiro significado de força.

Comportamento Pessoal

Humildade

Gostaria que vocês soubessem que venho de uma família simples. Simples do tipo que valoriza o amor mais do que o dinheiro, que busca primeiro dar o melhor de si e depois pedir algo em troca, do tipo que trabalha duro pelo que sonha, que não reclama se não tem tudo do bom e melhor. Aprendi desde bem pequena a dividir com meus irmãos quase tudo que ganhava, às vezes isso era chato, mas com o tempo percebi que generosidade é algo muito precioso. Aprendi a dar valor a cada coisa pequena ou comum do dia a dia, como ter comida em casa, ter uma família unida, ter água para beber, ter uma casa para morar e ter a liberdade para fazer o que quero. Nunca vou conseguir agradecer e recompensar 100% de tudo o que meus pais fizeram e ensinaram para mim. Sinto que estou em dívida com eles pelo resto da minha vida, mas isso não me incomoda, pelo contrário, me faz querer conquistar grandes coisas para compartilhar com eles.

Acho engraçado que dizem que a gente só escolhe amigos que nos identificamos e que de alguma forma são bem parecidos tanto na personalidade como na forma de viver. Acho que é verdade. Se eu parar para pensar meus melhores amigos são como eu e é muito difícil ter uma discussão onde não concordamos com alguma coisa. Compartilhamos momentos difíceis e de grandes decisões desde o Ensino Médio, como dificuldade financeira, decepções amorosas, dias tediosos na escola, cansaço, primeiro emprego, início da faculdade e curso, além de muitos outros. Mas também houveram encontros e saídas inesquecíveis que vou guardar na minha memória para sempre. De certa forma acho que a gente atrai quem nos completa e nos apoia, não importa a situação. Sem eles não sei o que seria da minha vida.

Acredito que uma das coisas mais importantes da vida é a humildade. Sei que às vezes algumas pessoas não parecem ter, que nem parecem conhecer essa palavra. Mas a gente se engana fácil pela aparência e gestos. Nem sempre alguém que se veste super bem, que tem um carrão, que mora em uma cobertura, que é podre de rico – e você sabe disso – é enjoado, ganancioso, fútil e desonesto. Pode ser que seja a pessoa mais humilde que já conheceu e exatamente por isso está em uma ótima situação. O contrário também acontece. Alguém que mora na periferia, que não se veste tão bem, que sofre com dificuldade financeira, que pega 6 ônibus por dia, que tem 3 empregos e come em restaurantes populares pode ser a pessoa mais exibida, orgulhosa e fútil. Então a gente se engana o tempo todo. Por isso nem vale mais julgar pelo que uma pessoa aparenta ser. No curso os professores repetem a ideia de que nós alunos precisamos abrir a cabeça e não “engessar” conclusões precipitadas sobre alguém ou algo. E tem toda a razão, porque muitas vezes as pessoas provam ser o contrário do que imaginamos.

Cada um tem o seu jeito de viver que acredita ser o certo. Vejo que uns preferem colocar os filhos em escolas particulares porque acreditam que só assim terão uma boa educação e preparação para a vida. Outros preferem escolas públicas por falta de opção ou por acreditarem que só assim seus filhos saberão como realmente é a vida e se prepararão para enfrentar momentos difíceis. Não existe a opção certa, tudo vai depender desses filhos. Estudei a vida inteira em escolas públicas, algumas que pessoas julgavam serem as piores da cidade, mas nem por isso não tive uma boa educação, não conheci pessoas incríveis e não me preparei para vestibulares, entrevistas de empregos ou qualquer outra situação. O ensino pode ter sido fraco, mas sempre busquei algo a mais fora da escola. Sinceramente, acho que foi a melhor escolha que meus pais fizeram por mim e eu não mudaria se eu tivesse que escolher.

Se eu não soubesse o significado de humildade não sei quem eu seria. Tudo o que conquistei até hoje foi com ela como base. Não teria feito tantas amizades verdadeiras, não teria escolhido começar a trabalhar com 15 anos para poder ajudar nas despesas e contas em casa, não teria aberto minha loja com todo dinheiro que juntei do antigo emprego, não agradeceria todos os dias pela família que tenho, não conversaria com pessoas que nem conheço no ônibus ou na rua, não respeitaria pessoas mais velhas e muito mais experientes em alguns assuntos, não valorizaria cada centavo. Para mim humildade só é percebida nos pequenos momentos, quase insignificantes. Mas são neles que vejo o valor da vida.

Comportamento

Aqui e agora

Acordei com os batimentos acelerados, com o corpo tremendo, a cabeça viajando em infinitas ideias e uma inquietação nada comum. Percebi então que a única coisa que eu deveria fazer naquele momento era criar algo, deixando a criatividade fluir e, mesmo sem pensar direito, agir.

Peguei tecidos, papéis, fitas, lápis de todas as cores disponíveis na velha gaveta de “tranqueiras úteis”. Comecei então a desenhar, depois recortar, costurar, pintar e colar. Sorrindo e me perguntando o que estava fazendo, continuei tudo aquilo ao mesmo tempo. “Estou ficando louca?”, eu pensava. Mesmo com as mãos tremendo e os olhos virando de um lado para o outro dividindo a atenção entre várias coisas, percebi que me sentia feliz.

Eu estava apenas deixando tudo acontecer. Era a minha forma de descontar toda deprimência e raiva que eu nem sabia do quê sair. Não parei nem por um segundo. À minha volta estava tudo uma bagunça, cheia de picotes, raspas de lápis, roupas jogadas aos montes, manchas de tintas, artigos de customização espalhados e outras coisas que não tinham nada a ver. Como pararam aqui? Esquece, nem quero saber.

Não estava sozinha em casa e pude perceber que as pessoas estavam chocadas comigo e me olhavam com estranhamento. Eu andava de um lado para o outro, pegando um alfinete aqui e uma tesoura ali. Nem notava que estava parecendo um furacão derrubando tudo por onde passava. Por um momento, minhas mãos paravam de tremer, mas logo voltavam ainda mais agitadas.

Finalmente quando senti que não tinha mais o que fazer, parei. Me joguei no chão, exausta e com uma sensação estranha. Afinal, o que deu em mim? Sentei, com as pernas cruzadas, olhei em volta e me espantei. Tinha desenhos caprichados e cheios de criatividade, roupas customizadas e outras novas que estavam saindo da máquina de costura, quadros de molduras pintadas e diferentes cheias de frases e ilustrações, tudo assinado por mim. Então olhei para as mãos e elas já não estavam mais tremendo. Entendi, foi uma vontade incontrolável de fazer o que gosto, de deixar meu dom e inconsciente falar mais alto.

Fazia muito tempo que isso não acontecia, talvez porque faltava inspiração, motivação ou autoconfiança. Achei até que tinha perdido todas essas vontades, mas entendi que não. Nunca deveria ter deixado essas habilidades de lado, por isso aqui e agora farei o possível para que elas sejam notadas e melhorem ainda mais. Correrei atrás dos sonhos usando o que sei e me sentirei satisfeita pelo simples prazer de fazer o que gosto, porque a garota que desde pequena tem sonhos doidos ainda está dentro de mim.